Tuesday, January 06, 2009

Prince & Eu...

Como ficou bem óbvio, esta postagem se destina a um breve comentário a respeito da minha experiência assistindo ao filme "Marley & Eu", o qual só vi porque fui obrigada, vale ressaltar.
Não. Eu não li o livro... Não li, justamente porque sabia do que se tratava, uma vez que meu sogro me alertou para o perigo escondido em meio às páginas daquele livro com o filhotinho de labrador na capa.
Não li, porque sabia que ia ficar extremamente deprimida após fazê-lo. E ficar deprimida, para os que me conhecem, não é minha praia. Não é algo fácil, se tratando de mim.
Ver aquele filme, revisitar flashes de minha memória, não foi só ver um filme no cinema, coisa que faço praticamente toda semana com meu noivo. Foi algo perturbador em certas horas, mas, ao mesmo tempo, talvez necessário (ainda estou decidindo sobre a necessidade disso).

Meu primeiro e único cachorro na vida se chamava Prince (e o nome não era por conta do cantor!). Era um miniatura pinscher de pelagem marrom-dourada.
Como praticamente todos os cães dessa raça, Prince não era lá das criaturas mais simpáticas a primeira vista... Na verdade, ele sempre latia implicantemente, a ponto de te deixar com dor de cabeça as vezes, para todos os que ele não conhecia e se atreviam a vir nos visitar (isso ao meu ver, é um comportamento normal de todo bom cão que se prese: proteger seus donos...).
Latia implicantemente para o carteiro, para o moço que trazia a água, para todo mundo que usasse preto, e nos dias de seu mau humor canino, para quem usasse amarelo também, uma vez que essa era a cor do uniforme que usava o "famigerado" entregador de cartas.
Prince não tinha o menor respeito aos estudos e à formas de comunicação em papel. Frequentemente, para não escrever sempre, deitava descaradamente sobre livros e trabalhos escolares, amassando-os . "Lia o jornal", de modo bem peculiar: rasgando com as patas, fazendo com que ninguém pudesse ler depois. Fazia xixi em toda a extensão da colcha da minha cama que ficasse alcançável, toda vez que eu reclamava ou gritava com ele. Sim, ele tinha bastante personalidade para um cachorro...
Só dormia com a gente em cima da cama. Só comia ração da "Royal Canin", rejeitando qualquer outra marca (ele simplesmente não comia - ficando com fome por três dias uma vez). Odiava cheiro de álcool. Café era a única bebida que se deixada uma xícara no chão ficava a salvo...
Dentre tantas as peculiaridades do meu cachorro, talvez as mais lembradas são:
1º- O jeito de mostrar os dentes em um sorriso (não era rosnar ou querer amedrontar, ele mostrava os dentes parecendo um sorriso mesmo!) quando ele ficava feliz por ver a gente entrando em casa.
2º- A felicidade dele quando alguém dizia " Cadê a mamãe do Prince?", essa mãe era a minha mãe, e ele corria atrás dela, onde quer que ela estivesse e parava, lambendo os pés dela, ou qualquer parte ao alcance.

Eu amava, amo, Prince como se ele fosse uma pessoa. Ele era parte da minha família.
Uma parte que infelizmente não está mais aqui em carne e osso, mas estará sempre nas memórias. Eu convivi com ele por 14 anos (parte da minha infância e toda minha "aborrecência"), talvez por isso, e por muitas coisas que não conseguiria escrever, tenha sido tão doloroso ver aquele filme.
É um filme inocente de fato. Uma história verídica e uma narração brilhante, que me partiu o coração, de novo.
Prince morreu quase da mesma forma que Marley...
Bem velhinho...Todos os órgãos já falhando... Mas, no caso de Prince, foi mais coração, o veterinário tentou operar mas, ele estava tão velhinho e debilitado que faleceu, não aguentando nem tomar a anestesia.
Era um dia de chuva, muita chuva quando isso ocorreu; coube ao meu pai, enterrar ele.
Quando ele me contou, após o choque de perder meu amiguinho peludo, imaginei a cena do enterro. Certamente, foi algo dolorido para meu pai, que foi o único a se opor à chegada do presente da minha tia mas, logo se derreteu pela criaturinha que quando chegou aqui, cabia na palma da mãozona dele.
Dia 17 de janeiro, seria aniversário dele. Dia de luto aqui em casa, sempre.
Assistir à "Marley & eu" me deixou bem pra baixo por relembrar a perda de Prince...
Enquanto eu chorava como um bebe no cinema (assumo que chorei de me acabar!), me lembrei da mania dele de colocar a cabecinha no nosso colo e de lamber nossas lágrimas quando nosso rosto estava a seu alcance (Marley também faz isso no filme...). Isso me fez chorar ainda mais, sentir mais sua falta.
Quando se convive por tanto tempo, ainda se espera a presença daquele ente em algumas situações. É assim em relação às pessoas e aos animais. Eu ainda me pego esperando ele correr latindo mau humorado para o carteiro. Ainda espero ele me "consolar" quando choro. Sinto até falta dele pedindo galinha na cozinha (ele era louco por galinha).

Nada que eu possa falar de Prince o fará justiça. Alguns dias era mau humorado, o que fazia com que eu sentisse ainda mais simpatia por ele, uma vez que eu achava que ele era parecido comigo nisso. Ele era incrivelmente inteligente para um cachorro e para um ser tão pequeno. Acima de tudo, ele era uma criaturinha extremamente carinhosa que acabava cativando a quem se dispunha a olhar verdadeiramente pra ele.

Por todas as lembranças que carrego, "Marley & eu" não é um filme para gente como eu. Na verdade, estou errada, é exatamente um filme para quem tem lembranças como as minhas, porque entendo o que aquela família passou.
Alguém que nunca teve cachorro não seria capaz de entender tão bem. No máximo, tentaria ajudar, sem sucesso, dizendo para se lembrar que "ele está no céu dos cachorrinhos". O que é algo até insensível para se falar à alguém com experiências assim.

Pelo que ouvi falar, assim como eu, todos saem do cinema ainda chorando. Mas, acredito que também como eu, alguns ainda saem com a sensação de ter um buraco no coração.

"Dê seu amor a um cachorro, e ele lhe dará seu coração em troca".

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